Em um paper de 31 julho de 2023, o FMI afirmou que “o sistema Pix é altamente bem-sucedido”, e que o contínuo desenvolvimento da tecnologia deve “cimentar a liderança global do Brasil em sistemas de pagamento instantâneo”. Em julho de 2025, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apontou que o Pix representa uma ameaça ao comércio justo entre os dois países. O Momento Pesquisa desta semana, nesse contexto, relembra a concepção e implicações do Pix, além de levantar possíveis motivações por trás da aparente hostilidade norte-americana frente ao sistema desenvolvido pelo Banco Central do Brasil.
O PIX: HISTÓRICO E FUNCIONAMENTO
O Pix começa a ser idealizado em 2018, mas entra em plena operação somente em novembro de 2020 como iniciativa do Banco Central do Brasil para aumentar a eficiência do sistema de pagamentos brasileiro em um momento histórico marcado pela ineficiência das alternativas para vários usos de caso.
Embora o BCB tenha assumido a concepção, o design e a infraestrutura do Pix, as instituições privadas do sistema de pagamentos nacional participaram ativamente das discussões para a construção de uma infraestrutura pública, eficiente e que pudesse ser análoga ao dinheiro físico, com lastro diretamente do Banco Central. Havia também objetivos claros, como o fomento da competição entre as instituições de pagamento, facilitando a desconcentração bancária e contribuindo para a inclusão financeira.
A aderência do público e das empresas ao Pix logo nos primeiros anos é incontestável:


E NOS EUA?
Os EUA não possuem uma infraestrutura pública e eficiente de pagamentos instantâneos, e não devem ter tão cedo. A ala Republicana do Congresso americano passou, neste mês de julho, uma legislação barrando a elaboração de um sistema de pagamentos instantâneo baseado em depósitos no Banco Central americano, o Fed.
Tendo em mente que o Pix favorece a competição entre as instituições do sistema de pagamentos, especialmente entre os bancos, economistas como Paul Krugman, Nobel de economia, atribuem a hostilidade frente a essa tecnologia à forte influência política das instituições bancárias dos EUA e à disposição de parte do legislativo em apoiar criptomoedas baseadas em block-chain, ainda que somente 2% dos americanos tenham usado esses ativos para fazer pagamentos em 2024.
Comparativamente, Trump não está errado em apontar que a existência de um sistema como o Pix pode reduzir os mercados endereçáveis para bancos e intermediadores.
Fontes: Banco Central do Brasil (2023); Fundo Monetário Internacional (2023), Sampaio (2025), USTR (2025) . Atualizado em 25/07/2025