Boletim Macro Semanal Ghia – 21.07.2025

Cenário Externo

Tarifas começam a pressionar a inflação nos EUAEmbora as pressões inflacionárias vindas das tarifas fossem tratadas no mercado como uma questão de “quando” e não de “se”, o primeiro sinal concreto desse processo só foi visível nas divulgações dos índices de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) de junho na semana passada. De fato, ambos os indicadores registraram alta nos preços de bens, tal como pressões significativas sobre a energia, possivelmente em virtude da alta do petróleo ocorrida no mês passado em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Adicionalmente, o desempenho robusto do varejo em junho deve reforçar a postura de cautela por parte do Fed na próxima reunião do FOMC, no final de julho, favorecendo um cenário de continuidade dos juros no patamar atual por mais tempo.

Tensões sobre o próximo presidente do Fed continuam latentesA rigidez do arcabouço legal que impediria o presidente dos EUA de demitir o presidente do Fed nunca foi testada. Isso, em conjunto às renovadas críticas públicas de Trump a Powell, tem incitado a possibilidade de afastamento do presidente do Fed antes do fim de seu mandato em maio de 2026. Independentemente de quando o próximo Chairman do Fed for instituído, é factível esperar um nome mais alinhado às demandas dovish de Donald Trump.

Cenário interno

O governo ainda aposta em negociações até começarem a valer as tarifas de Trump. A postura do governo federal frente a sobretaxa de 50% anunciada pelos EUA sobre o Brasil tem sido a de buscar soluções econômicas junto de representantes do setor privado exportador. Embora o governo tenha regulamentado a Lei da Reciprocidade, que permite retaliação contra medidas comerciais como a adotada pelos EUA, não há, por enquanto, plano de retaliação estabelecido. No fogo cruzado, as pesquisas de aprovação a respeito do presidente da república mudaram para um tom mais positivo, levantando receios quanto à competitividade de uma possível oposição com postura mais pró-mercado nas eleições presidências de 2026.

Boa parte da alta do IOF anunciada pelo governo no mês passado volta a valer. Os poderes Executivo e Legislativo não chegaram a nenhum acordo na reunião de conciliação para tratar do IOF. Nesse contexto, coube ao Judiciário apontar uma solução, que culminou na interpretação de que a maior parte das medidas estabelecidas pelo governo não desviaram da finalidade original do IOF – a suspensão da tributação sobre risco sacado permanece. Esta decisão ainda passará por plenário STF e, ainda que seja embasada tecnicamente, a retomada do decreto do IOF revela um grau desconfortável de insegurança jurídica.

Fundos Imobiliários

ALZR11: o fundo divulgou o seu guidance de proventos para o segundo semestre de 2025, projetando rendimentos recorrentes (sem ganhos extraordinários com vendas de ativos) entre R$ 0,080 e R$ 0,082 por cota ao mês. A estimativa considera exclusivamente os recebimentos com aluguéis e aplicações financeiras, sem incluir eventuais ganhos de capital — o que indica que os rendimentos podem ser ainda maiores caso essas receitas sejam incorporadas mensalmente.

Além disso, o fundo registrou forte expansão em sua base de investidores após o desdobramento de cotas ocorrido em maio. Em junho, mais de 4 mil novos cotistas ingressaram, elevando o total para mais de 164 mil. Em dois meses, o ALZR11 ganhou mais de 11 mil investidores, movimento que contribuiu para impulsionar sua liquidez no mercado secundário.

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