Desde a corrida presidencial, Donald Trump não poupou críticas ao atual presidente do Fed, Jerome Powell, em relação à condução da política monetária, especialmente o “atraso” no ciclo de cortes de juros. Por isso, ao longo dos últimos meses, surgiram diversos rumores sobre uma possível demissão de Powell ou uma nomeação antecipada do próximo presidente do Fed. Nesse cenário, quais são as alternativas de Trump e quem são os possíveis candidatos?
Primeiramente, Trump pode demitir Powell?
A resposta é complicada. Nos mais de 90 anos de existência do Fed isso nunca ocorreu, logo o arcabouço legal que protege o presidente do Fed nunca foi testado. Há precedente de uma decisão* da Suprema Corte norte-americana que indica que membros de conselho de agências federais independentes somente podem ser demitidos por “justa causa”, de forma a manter esses órgãos livre de influências. Porém, essa decisão não é explicitamente sobre o Fed e Trump já tentou demitir outros reguladores independentes no começo do ano.
Então, quando Powell deixará a presidência do Fed?
O mandato termina em maio/26, mas nada impede Trump de já nomear seu sucessor como uma forma de enfraquecer a figura de Powell. Alguns nomes que estão sendo circulados como possíveis candidatos são: Kevin Warsh, um ex-membro do Board of Governors e que já esteve entre os candidatos no primeiro governo Trump, quando Powell foi escolhido; Kevin Hassett, diretor do National Economic Council e conselheiro de Trump; Scott Bessent, atual secretário do Tesouro; e Christopher Waller, atual membro do Board após nomeação de Trump.
E qual seria a real influência do novo presidente?
Isso também é difícil de mensurar. Na prática, as decisões de política monetária são tomadas em conjunto pelos 12 membros votantes do FOMC, então o presidente não tem poder “supremo”. Ao mesmo tempo, a figura do presidente também carrega um peso importante nas discussões internas do FOMC.
E a opinião dos mercados?
Os mercados prezam pela manutenção da independência e da estabilidade institucional do banco central mais relevante para a economia mundial. Em um período de elevada volatilidade trazida pelo próprio Trump, a figura do Fed independente se torna um porto seguro.
O Federal Reserve foi criado em 1913 e desempenha funções essenciais para a economia norte-americana: conduz a política monetária; promove estabilidade do sistema financeiro; regula e supervisiona instituições financeiras; fomenta a segurança e a eficiência do sistema de pagamentos; promove a proteção dos consumidores e o desenvolvimento da comunidade. Para realizar essas funções, o Fed possui três entidades:
- Board of Governors: é o órgão dirigente do Fed, sendo composto por 7 membros, os quais são nomeados pelo presidente dos EUA e aprovados pelo Senado. Cada membro tem mandato de 14 anos, com nomeações escalonadas a cada 2 anos, de forma a mitigar a influência política sobre a composição do conselho. O presidente do Fed tem mandato de 4 anos, que pode ser renovado, e precisa ser escolhido dentre os membros do Board ou ser nomeado simultaneamente para o Board e para a presidência.
- Sistema de 12 Reserve Banks Regionais: localizados em Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Mineápolis, Kansas, Dallas e São Francisco, os bancos regionais reúnem um conjunto de dados sobre condições econômicas locais, de forma a embasar as decisões e políticas do Fed, e garantem o cumprimento das funções do Fed a nível regional. Cada um desses bancos também possui um presidente.
- Federal Open Market Committee (FOMC): responsável por definir a política monetária norte-americana, perseguindo o mandato dual de estabilidade de preços e máximo emprego. O FOMC é composto por 12 membros votantes e 7 não votantes. Entre os votantes estão os participantes do Board of Governors, o presidente do Fed de Nova York e quatro presidentes dos bancos regionais, que tem mandatos rotativos. Logo, os membros não votantes são os demais presidentes dos bancos regionais.
